terça-feira, 1 de julho de 2008

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Por vezes me surpreende essa saudade, essa coisa imensa que já não faço questão de controlar. Mas para meu dia funcionar, procuro me concentrar nas coisas imediatas e que precisam de uma fluidez de pensamentos. Nem sempre consigo. Enquanto sozinho digito um texto curto com minhas mãos geladas nessa manhã de frio, a fluidez do meu pensamento está, obviamente, no objeto da minha saudade. E apesar dos meus mais de trinta anos, preciso crescer muito ainda para entender como algumas coisas acontecem. O crescimento virá, e espero vê-la crescer também,  e sempre que precisar contar com minha mão carinhosa e amiga. Já não sou mais sozinho, apesar de ter minha própria vida. Já não planejo mais minhas partidas e chegadas individualmente. Já não uso mais "eu". Agora, em minha vida, há sempre esse "nós", e essa falta absurda que ela faz quando não está perto. 
Não sei se ele pensa em mim da mesma forma, mas já não fantasio a pessoa perfeita que se importa, preocupa e lembra de mim o tempo todo, pois sei que isso não é possível. Sonho com a pessoa real, humana, com medos, valores, idéias, princípios, limitações. Basta à mim saber que amo-a, que isso cresce a cada minuto, e que ainda que eu nunca tivesse idealizado alguém nessa vida, sinto como se ele fosse essa pessoa, esse sonho que vivo acordado em meio ao dia cheio de obrigações, preocupações, frustrações e novas perspectivas. Sinto uma coisa real, não um engano. Sinto a segurança que tenho em fazer o melhor que posso por nós. Sonho com uma pessoa imperfeita, e sinto que posso suportar as dores que ela vier a causar, e ainda assim continuar a olhá-la da mesma forma, com o mesmo carinho, com a mesma paixão de sempre.
Sonho com essa pessoa o tempo todo, preocupo-me com ela o tempo todo, mas de uma forma carinhosa, como o amigo que quer vê-la sempre bem e feliz. Sonho como quem sonha um sonho bom, e não uma idéia distante, etérea e intangível. Sonho, hoje, com essa vida que não escolhi, mas que à mim pertence porque aceitei-a, porque lutei para que chegasse até aqui.
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