Já não havia mais tempo para nada. As coisas empacotadas, escondidas em caixas novas de papelão pardo fechadas com fita adesiva em excesso, como se fosse para impossibilitar a sua reabertura, pouco diziam. Uma história, uma vida acondicionada entre metros plástico bolha, diversão barata para as crianças sem lar jogadas na calçada. Já não importava o destino das caixas, dos metros de plástico bolha, já não importava o conteúdo delas. No novo espaço já não há espaço para as novas caixas e suas velhas histórias embaladas. E era assim que eles me empurravam para longe, me distanciavam de suas vidas como se fosse uma visita indesejada.
Olhando agora para as caixas encostadas na parede nova, as caixas que já foram novas, agora apenas velhas caixas tomando um espaço onde não há espaço numa outra vida, lembro do dia em que parti com quase nada.
Para nunca mais voltar.
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