sábado, 28 de junho de 2008

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Elas chegaram, enfim. Não tinha certeza se viriam, mas era de se esperar. O céu azul de quase inverno, friozinho calmo, sol gostoso... agora as nuvens grayscale cobrem quase tudo. Vento empurra folhas para o canto morto da calçada, enquanto, da janela aberta, olho o movimento. Algumas folhas são maiores do que as outras, e dão ao vento mais trabalho para arrastá-las. Implacável, a força invisível vence os corpos inertes que, agora, juntam-se aos outros depositados no jazigo, visivelmente com maior facilidade.
Um novo vento sopra, uma nova e diferente força invisível, em direção oposta, desconstrói a obra de instantes atrás. Agora, olhos fixos no tempo, essa outra força invisível que nos empurra também ao jazigo e cobra sua taxa. O tempo que permaneci parado é um tempo que jamais retornará. Não posso permanecer assim, janela aberta, olhando as nuvens cinza que se unem para encobrir o céu azul. Não quero mais momentos a olhar as folhas mortas empurradas ao jazigo.
Minha vida necessita de mais sorrisos.
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